- Complicado demais.
- Complicada é voce!
- Não entendo o porque.
- Não entendo você.
- Eu o que?
- É você, você sempre, depois...
- Depois o que?
- Termina chorando.
- Hey, não fala assim não.
- Teimosa.
- Teimosa por que?
- Por tudo.
- Tudo?
- Tudo, e principalmente... - Silêncio
- Tô esperando...
- O que?
- Termina...
- Principalmente porque já te disse que eu sou assim, eu quero assim e mais nada entende? Nada de textos, e de amores, e de músicas, nada. Não amo, e nem quero, mas você não entende - Silêncio - Porque você não entende? - Silêncio... - Desculpa?
- Não precisa.
- Precisa sim, desculpa?
- Não resolve.
- Resolve sim, desculpa?
- Resolve para você, não para mim.
- É, não resolve mesmo.
- Fala que me ama?
- Não posso mentir.
- Minta! Já mentiu antes, não vai ser dificil.
- Você não entende.
- E você não me entende. Porque ainda estamos aqui?
- Aqui onde? Parados em frente de casa?
- Não... Também... Quer dizer, não.
- Parados onde então? Quer entrar no carro? Ou subir pro meu quarto?
- NÃO!
- Parados onde então? O que você quer?
- VOCÊ!
- Não perguntei nesse sentido.
- Mas estou respondendo em todos os sentidos e para todas as opções.
- Vai responder onde estamos parados?
- Até me esqueci.
- Não esqueceu não. Você nunca esquece de nada.
- Você nunca esquece de nada!
- Esqueço sim.
- É tem razão, esquece. Esqueceu até o que me disse sussurrado baixinho aquele dia se le-m-b...Esquece. Que droga, de novo... Eu respondo, parados um do lado do outro. É isso. - Silêncio
- Eu gosto de você.
- Pensou muito para falar.
- Porque o que eu estou falando é forte demais.
- É nada, não acredito.
- Não acredita mais?
- Acredito, droga!
- Eu gosto muito de você.
- Já ouvi.
- Mas é muito mesmo. Gosto de quando você faz isso.
- Isso o que?
- Desvia o olhar para não me olhar nos olhos e mostrar o que tem aí dentro.
- Mentira.
- Eu não minto.
- Mente sim, até disse uma vez que me a-m-a-v... Deixa para lá.
- Você não esquece de nada mesmo.
- E devia?
- Não.
- Então!
- Eu gosto tanto de você. Gosto quando compra lingerie só porque eu gosto de tal cor, e quando fica do meu lado, quando me abraça e blá blá blá.
- Não fala assim.
- Assim o que?
- "Blá blá blá", não gosto!
- É para não ficar sentimental demais tudo isso.
- Não gosta de sentimentos, é.
- Já gostei, mas hoje...
- Para!
- Por que?
- Não quero ouvir.
- Mas você sempre quis.
- Mas hoje não quero.
- Por que?
- Porque você vai falar de novo que eu sei que você não quer e eu continuo insistindo e vendo coisas onde não tem nada, e não aprendo nunca e blá blá blá.
- Você falou blá blá blá, disse que não gostava.
- Não gosto de ouvir.
- Também não gosto de ouvir. Por que disse?
- Para não ficar suplicante demais.
- Suplicar pelo que?
- Por você.
- Me beija?
- Não.
- Não?
- Não.
- Deveria pergunta o por que?
- Se quiser saber.
- Não, não quero saber.
- Tá bom.
... Silêncio ...
- Porque não quer me beijar?
- Eu quero.
- Quer?
- Muito.
- Por que disse que não queria?
- Por que me pergunta tanta coisa.
- Porque não te entendo.
- Desde quando?
- Desde de sempre.
- E continua aqui.
- É, continuo.
- Não quer ir embora?
- Tá me mandando embora?
- Não. Você está na sua casa lembra? - risos
- Não perguntei com esse sentido.
- Respondi em todos os sentidos e para todas as opções.
- Não entendi.
- Você nunca entende lembra?
- Explica?
- Você nunca quer que eu explique.
- Hoje eu quero.
- Quer?
- Muito.
- Meu coração é sua casa. Meu abraço também.
- Ficou sentimental demais.
- Eu sou sentimental demais.
- Me manda embora e não precisa ouvir mais nada.
- Eu quero ouvir.
- Quer nada, você nunca quer.
- Quero sim. Mas você me assusta.
- Por que?
- Porque assusta, oras. É quente demais, intensa demais, chatinha demais.
- Hum... - Ela fica pensativa.
- Eu gosto de você.
- Já disse isso.
- Mas você não acreditou antes.
- Acredito agora.
- Porque agora?
- Porque seus olhos estão brilhando.
- Não estão!
- Estão sim, eu estou vendo.
- É o sereno do céu.
- Não é não, sou eu. Minha culpa. Minha causa.
- Já disse que não é.
- E porque não pode ser?
- Por que não quero seja! Simples.
- É sempre assim não é? Como você quer que seja. Vou embora.
- Não vai. - Ele puxa ela para perto dele, uma mão na cintura e a outra colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- Vou sim.
- Não.
- Então assume.
- O que?
- Seus olhos.
- Você
- Eu o que?
- Por...
- Por o que?
- Por você.
- Não vale assim. Diz tudo, mas não mente.
- Não minto.
- Mente sim.
- Não minto... É por você meus olhos brilhando, mas só hoje. Amanha já ...
- Amanha já não sabe, acertei?
- Sim.
- Mentira.
- É.
- Mas você disse que não mente.
- Não minto. Com você é sempre diferente...mas amanha posso não estar bem com você.
- Você está bem comigo agora?
- Não.
- Porque?
- Você não quis me beijar.
- Quis sim.
- Me beija então?
- Não.
... Silêncio ...
- Vou embora.
- Não vai.
- Vou sim. Preciso ir, tá tarde.
- Eu gosto tanto de você. Entende? - Ele repete baixinho.
- Acho que não.
- Me beija?
- Te beijo. - Silêncio
- Posso ficar com você essa noite? - Ela pede.
- Sim, e todas as outras também.
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