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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Você tem coragem de amar sozinho?

Você só descobre o que realmente é o amor, quando você ama sozinho.
Quando você entra sozinho em um barco para dois, e o rema mesmo estando furado, acreditando que conseguirá chegar do outro lado do oceano.
Você vive realmente o amor, quando ama sozinho.
Quando tira as suas próprias roupas e tenta tapar o buraco daquele barco em que já disse.
É no apce do amor, em que se perde toda a dignidade. Em que se fica nú no mundo.
É quando se sente os nervos do braços se estourarem de tanta força ao remar, respira-se fundo, e continua.
Amar e ser amado meu caro, é fácil, é excitante.
Mandar uma carta romantica ao amado, e saber que a resposta do destinatário virá em breve, é uma curta angustia deliciosa.
Se entregar em um olhar e ter a certeza de que cairá sim, mas nos braços certos, é um conforto mágico. Responder à um eu te amo, é de limpar a alma.
Mas eu tiro o meu chapéu é para aqueles que não fizeram suas malas, ou que chegaram fazer, mas pensaram valer a pena tentar um pouco mais.
Para aqueles que disseram “eu te amo”, e ganharam em troca um silêncio desalmante*, e ainda sim, não desistiram.
Para aqueles que se esquecem de si, por causa do outro.
Para os que passaram natais sozinhos, desejando que o natal do outro fosse explêndido.
Para os que guardaram no bolso a sua dor, e foram cuidar do coração da pessoa amada.
Quero ver se você tem coragem de amar sozinho…
Quero ver se você ousaria entrar nesse barco sabendo que tem tudo para dar errado, para naufragar, mas  você tenta porque acredita que vale a pena.
E você tenta e tenta e tenta…
E você esconde os defeitos da pessoa em um lugar impossivel de ser encontrado, e pega tudo o que ela tem de melhor e escancara para o mundo, gritando à todos que ela é uma pessoa maravilhosa, é linda, é especial, é unica…
Mesmo essa pessoa tendo acabado de quebrar o seu coração em milhões de pedaços, nesse momento com uma mão você segura forte a mão da pessoa, para que ela jamais tropece, e com a outra você tenta ir colando os pedacinhos de volta do seu coração.
Ah, e não posso esquecer, você faz tudo isso com o sorriso nos lábios!
Você tem coragem de amar sozinho? - (R,B)

* Desalmante: Aquele que não tem alma.
Porque pra ter você por perto um pouco, eu tive que não querer mais ter você por perto pra sempre.- Tati

domingo, 10 de abril de 2011

e fazer birra, e me jogar no chão

Eu parei por um momento, e olhei ele ali, tão perto de mim - entregue.
Tentei então me imaginar sem ele, como seria passar a  noite de um sábado definitivamente sem ele. No primeiro momento senti doer, doer tudo desde o fio de cabelo bagunçado por ele até o dedinho do pé que naquele momento estava sendo beijado - também por ele. Depois, respirei fundo, e tentei ser mulher e madura, para entender que um dia, o "dia sem ele" chegaria. Mas como ser tão mulher e tão madura diante daquele homem?
Eu queria mesmo é ser uma adolescente, daquelas que assistem filmes românticos acreditando realmente que é real, ou ser então uma criancinha e fazer birra, e me jogar no chão, esperniar pedindo " não vá, não me deixe por favor!"
Eu queria ficar ao lado dele, até não conseguir mais manter meus lhos abertos, e então durmir naquele peito quente, e forte, paralisada, para não desfazer o laço, o nó das minhas pernas entre as dele.
Eu sabia que na verdade não passava de um momento, mas como eu queria minha vida repleta desses momentos. Sempre.
E quando o Sol se põe, no momento em que as pessoas tomam seus ônibus de volta para casa, passam no supermercado, tomam um banho quente, assistem o tele - jornal, ligam o rádio, e deitam no sofá com um bom livro na mão...
Quando o Sol se põe e todos procuram algo para se refugiar, para ter aquela sensação boa , ou nostálgica de finalsinho de dia...
Eu, eu só quero que os meus olhos caminhem em direção aos seus, para que mesmo por só mais um momento, eu declare o quanto essa vida é boa de ser vivida.

sábado, 9 de abril de 2011

O meu amor agora está perigoso. Mas não faz mal, eu morro mas eu morro amando.
(Cazuza) 

imagine só se pedisse demais

- Foi então que percebi que amar...
- Não tem remédio? – antecipa-se Gustavo, completando a frase de Luísa.
- Não... – ri, triste. – Não estou citando o Caio Fernando Abreu. A frase é minha: foi então que percebi que amar é perder a dignidade. - encosta a cabeça no ombro do amigo e suspira, durante o intervalo do filme antigo que assistem na TV, na sala branca dela.
- Ah, Luísa – faz um leve afago nos cabelos dela – Qual é o problema de descer do salto uma vez? Pronto: desceu e já subiu. És tão exigente com você mesma. Deveria exigir mais dos outros também. Nada de aceitar restos e migalhas.
- Você acredita que eu exijo pouco e ainda assim... Enfim, imagine só se pedisse demais...”

(Cadernos de Luísa, Vanessa Souza Moraes)
" - Você não acha que algum dia eu e ele ficaremos juntos de verdade, não é, Luísa? - pergunta Melissa, em tom choroso.
Luísa olha para seu prato de comida antes de responder. Formula a resposta, para não usar nenhuma palavra-faca.
- Mel, eu... - titubeia - Honestamente, minha opinião não fará nenhuma diferença para você neste momento. E eu não sei nem das minhas coisas-de-dentro - e dá um sorriso de leite condensado.
- O tempo dirá isso, Luísa - responde Melissa, profética.
- E doze anos não te disseram nada ainda? - as palavras pulam sem controle, e Luísa arrepende-se de dizê-las assim que elas caem no vazio do silêncio - Desculpe, como disse-me o Gustavo esta semana, preciso mudar minha postura acerca da temporalidade".

(Cadernos de Luísa, Vanessa Souza Moraes)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

- Uma vez Pedro, após ver um sorriso triste em mim, me disse que eu estava no caminho certo. - Katherine
- Caminho certo? Quem é Pedro Kathy? - Lucy pergunta.
- Caminho certo em relação ao Will. Pedro é o melhor amigo de Will, ex - namorado de Alice, se lembra? - Kathy explica, enquanto brinca com os talheres da mesa.
- Hum, me lembro sim, faz anos que não vejo a Alice, desde que fui estudar no Canadá.
(Silêncio)
- Kathy?
- O que é Lucy?
- Você concorda com Pedro? Realmente esteve no caminho certo? - Lucy pergunta baixinho.
- Se o caminho foi o certo, não sei te responder ainda...O que te digo com certeza, é que não estive, eu estou nesse caminho. Continuo a esperar por Will, é como se a qualquer momento ele fosse entrar por esta porta me pedindo pra ficar, ficar de vez... - Kathy deixa os talheres e olha pra Lucy
- Até quando minha Kathy? Até quando?
- O amor não conhece essa pergunta Lucy.

(Lucy olha para Kathy balançando a cabeça terminando em um sorriso de consolo.)

domingo, 3 de abril de 2011

e se...

"E Se não houver outro modo?
E SE a passagem que podemos fazer um pela vida do outro for esta? Apenas esta? A passagem do viajante?
E SE eu continuar a desenhar você obsessivamente, como fiz durante um ano, pelos próximos dez ou vinte ou trinta?
E SE os nossos encontros não vierem com o rótulo da família, do cartório, da aliança, da hora do jantar, do jornal à porta pela manhã, das compras de supermercado, dos chinelos ao pé da cama, da tábua do vaso do banheiro, das escovas de dente, da biblioteca e da discoteca, dos recados presos na geladeira, das xícaras de café sobre a pia com um círculo preto ao fundo, da toalha de banho habitual, do lugar habitual à mesa, da marca preferida de xampu, da secretária eletrônica, da regulagem da torradeira e do retrovisor do carro, das contas ao final do mês, dos amigos em comum?
E SE for preciso assumir a fragilidade de nós mesmos na fragilidade daquilo que somos? Viajantes?" - Adriana Lisboa
“Você sabe que eu raramente sinto culpa, por isso a surpresa. Por que será que algumas pessoas sentem mais culpa do que as outras. Às vezes acho que há uma relação inversa entre o crime e a culpa. Quanto mais culpado você se sente, menos grave é o teu crime, talvez ele nem exista.” - Carola Saavedra
"(...) eu devia me expor a você, sem reticências, sem jogos... mas ao mesmo tempo eu tinha medo de me dissolver, de me perder, de não ser mais eu, mas apenas um ser apaixonado... e tinha principalmente vergonha da minha ansiedade, da minha carência... se eu as exibisse a você, talvez você se assustasse e fugisse... e então eu ocultava os meus excessos, me mostrava distante, forte, blasée... e o que acabava mostrando era um arremedo de envolvimento, mesmo sabendo que isso nos fazia mal... eu odiava a dependência, a sujeição, a espera contínua por uma palavra, um gesto... era como se você fosse Deus e estivesse em suas mãos decidir a minha felicidade ou a minha desgraça... como suportar o fato de estar inteiramente subjugada a você? Como suportar teus atrasos, tua ausência... como ficar à espera e olhar para o relógio e sentir o tempo passar e construir mil histórias sobre o atraso... primeiro te desculpando, depois te acusando e prometendo a mim mesma fazer um escândalo quando você chegasse... e quando você chegava, eu ficava tão perturbada, tão feliz, tão grata, que esquecia completamente a raiva e a humilhação da espera... fico pensando no tempo em que desperdicei tentando dissimular. mascarar minha incontrolável dependência de você... durante meses ocultei minha loucura, me contive, sufoquei, fui civilizada... civilizada na minha fúria, civilizada na minha dor, civilizada em momentos que não devia ser..." - Maria Adelaide Amaral
Ser mulher é a hipocrisia ao contrário. É a desgraça do avesso. É a simplicidade depois do choque. É tentar até o fim o que já nascemos sendo. É se tornar o que já se sabia mas dói tanto e se vai aos poucos. Um aos poucos todo esfolado por conta das aceleradas que é ser mulher. Ser mulher é um atropelamento em câmera lenta, que a cada frame é visto com a maior velocidade que sem tem notícias no mundo. Porque não é a saia, não é a cor. Também não é a loucura, a dor, o brinco, o casamento, o filho, o buraco, a roupa, o choro, a fragilidade, o grito. Não é nada disso. É o que passa despercebido pelo cara da fila, pelo nosso espelho. É o intervalo de todas as tentativas de ser e, principalmente, de não ser. Quando eu serei uma mulher? Ser mulher é esperar ser mulher até o fim. Ser mulher é somente morrer tentando. - Tati B.
Te mando beijos em outdoor pela avenida, você sempre tão distraído, passa e não vê... ♪


sábado, 2 de abril de 2011

Precisei.


Te escrevi duas vezes: a 1ª saiu uma coisa sincera, mas lamentativa demais, um saco. A 2ª saiu “madura e controlada”, extremamente falsa…” - cfa




Eu precisei tanto que HOJE você quizesse a minha companhia, que você olhasse pra mim com esses seus olhos de : " você não aprende mesmo en menina?" e sorrisse um sorrisso feliz misturado à preocupação comigo.
Eu precisei tanto que hoje você quisesse estar comigo, mesmo que só pra ouvir, ou dizer alguma coisa que me fizesse sentir no estômago aquele finalzinho de dia, quando todo mundo tenta se refugiar em algo, e eu me refugiando em você.
Eu precisei muito de você hoje, mas preferi não dizer nada, talvez torcer, porque é o que se faz quando já não se tem mais o que fazer. Se torce pra dar certo, paras as ideias se encontrarem e darem a mão.
Certamente você não vai ler essas minhas palavras, até porque você não gosta, ou porque tem medo de que um dia eu retire uma, quebre outra. Eu sei. Mas saiba que eu escrevo aqui pra não chegar em você e te implorar pra ficar comigo só um minutinho a mais, pra não segurar teu rosto com as mãos e pedir: "Olha para mim "
Hoje eu me senti desconcertada, e precisei do amigo que você é pra me ajudar a colocar minhas partesinhas de volta no lugar...eu tinha até um trabalho da faculdade e pensei em te pedir ajuda, admiro tanto a sua inteligencia e seu ponto de vista.
Eu precisei de você perto, mas perto de verdade entende? De corpo e de alma, mesmo que não fosse por muito tempo, ou muito intenso.

Eu precisei muito.
Me desculpe essas palavras um tanto suplicantes.
Caso você entenda como eu dou valor em você, caso você descubra isso, não pense duas vezes, me chame! - (Ramos, Bruna)