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domingo, 3 de abril de 2011

Ser mulher é a hipocrisia ao contrário. É a desgraça do avesso. É a simplicidade depois do choque. É tentar até o fim o que já nascemos sendo. É se tornar o que já se sabia mas dói tanto e se vai aos poucos. Um aos poucos todo esfolado por conta das aceleradas que é ser mulher. Ser mulher é um atropelamento em câmera lenta, que a cada frame é visto com a maior velocidade que sem tem notícias no mundo. Porque não é a saia, não é a cor. Também não é a loucura, a dor, o brinco, o casamento, o filho, o buraco, a roupa, o choro, a fragilidade, o grito. Não é nada disso. É o que passa despercebido pelo cara da fila, pelo nosso espelho. É o intervalo de todas as tentativas de ser e, principalmente, de não ser. Quando eu serei uma mulher? Ser mulher é esperar ser mulher até o fim. Ser mulher é somente morrer tentando. - Tati B.

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