Digitei seu numero e quis te ligar, mas logo desisti, você devia estar fazendo algo mais importante do que ouvir eu te pedindo para me deixar gostar de você de novo. Seu cheiro estava no meu nariz, preso, respirei outros mil perfumes do armário para ver se você desaparecia de mim e só consegui uma tremenda dor de cabeça com isso. Seu cheiro ali, aqui, dentro. Digitei seu numero de novo e deixei chamar, você atendeu no terceiro toque, com certeza já havia visto meu nome na telinha do seu celular antes, mas você sempre gostou de me ver com aquele frio terrível na barriga. Você disse alô e eu respirei fundo.
- Tudo bem?
- Tudo. Tudo ótimo. - Respondi.
- Precisa de alguma coisa?
- Não, só liguei para dizer que você deixou sua blusa de frio aqui, você pode precisar dela.
- Han.
Droga! Como eu ligo para você e falo da sua blusa de frio com o calor de dormir pelado que esta fazendo. Eu sabia exatamente a cara que você estava fazendo naquele momento, o desenho do seu sorriso, querendo rir, mas você sabia que eu estava nervosa o suficiente para você fazer brincadeiras do tipo.
- Preciso desligar.
- Mas já? - Você perguntou.
- Sim.
Desliguei sem sequer ouvir o seu “tchau” baixinho de despedida, que você fala e espera um pouquinho antes de desligar, para ter certeza de que eu não vou falar mais nada. Era dez e meia da noite, e a pressão que você fazia em mim, a vontade de te abraçar e sem doçura beijar seu peito forte e largo era tão grande que eu não conseguia chorar pela besteira de ter te ligado, ou ainda, pela besteira de ter desligado na sua cara. Mas era tarde demais. Aprendi a ser orgulhosa com você. E meu orgulho jamais me deixaria te ligar outra vez.
O relógio marcou exatamente dez e quarenta e você buzinou no meu portão. Saí na porta.
- Entra, o portão está aberto. - Minha voz saia com dificuldade.
- Quantas vezes eu já te pedi para não deixar o portão aberto?. – Você disse em tom sério.
Eu sorri. A ultima vez que você esteve em casa, foi com lagrimas nos olhos que me deixou. Havíamos brigado feio. Dito coisas um para o outro que só diz quem se conhece demais. Lembro de você dizendo: ‘Não dá mais. Assim eu não quero. E eu respondendo: É isso que você quer? Ok.” E me doeu toda por dentro me lembrar dessas palavras. Você entrou com receio, me olhando nos olhos. Fazia exatamente três semanas que não nos víamos, sua boca veio em direção da minha, e antes que nossos lábios se tocassem desviei beijando seu rosto.
- A blusa.
- Sim, a blusa.
- Está no seu quarto?
- Sim.
Andamos em direção ao meu quarto, sua blusa estava lá, pendurada no encosto da cadeira como você havia deixado. Você parou na minha frente, se aproximou:
- O que aconteceu com a gente na ultima vez que te vi?.
- Isso nunca vai dar certo. – Respondi.
Você me puxou pela cintura delicadamente, e disse:
- Pode dar certo.
- Não sei se acredito nisso mais.
- Eu sabia que você não voltaria atrás do que me disse, você não tem idéia de como tenho vivido essas três semanas. – Você disse me olhando nos olhos.
- Eu vi você com outra. – Tirei suas mãos da minha cintura e abaixei a cabeça.
- Eu tinha que tentar provar para mim que não preciso de você para viver.
- Isso é ridículo, não sei por que te liguei.
Silencio.
- Conseguiu o que queria?
- O que?
- Provar para você que não precisa de mim.
- Sim.
Você respondeu, e antes que continuasse eu interrompi.
- Que bom.
- Mas eu não quero.
- Não quer o que?
- Ficar sem você. Sem esse seu sorriso bobo quando me vê entrando pelo portão da sua casa. Não quero ficar sem sua voz nervosa ao telefone querendo só falar comigo, e inventando essas desculpas malucas como a blusa de frio. Risos. Ficar sem olhar seus olhos nas manhas de domingo e sentar no chão da sala comendo sucrilhos com leite e assistindo Gossip Girl, e aí você me olha e pergunta se eu amo você os personagens da serie se amam...Se você não tivesse me ligado eu teria vindo aqui, você sabe.
- Mentira. - Respondi rispidamente, tentando parecer fria.
- Seu e-mail.
- O que?
- Entra no seu e-mail, acredito que não tenha visto. Ou viu e não quis me responder.
Me sentei, liguei o computador e abri meu e-mail. Seu nome em negrito na caixa de entrada fez meu coração disparar, enquanto o e-mail abria você brincava com as mechas do meu cabelo.
“ Eu não estou agüentando. Pensei em começar o e-mail com oi tudo bem?, mas não consigo dizer outra coisa que não seja: fica comigo. Posso ir amanha na sua casa? Sábado o nosso dia, não me deixe aqui sozinho no meio de tantas outras pessoas que só servem para me mostrar o quanto é sem graça ficar sem você.”
Sexta – Feira, 21 de Outubro de 2011, às 2:00 am.
Me levantei lentamente, com lagrimas nos olhos, sem saber o que fazer. Você me abraçou e sussurrou no meu ouvido.
- Me beija?
Selei seus lábios com os meus, te puxei firme contra o meu corpo, e respondi.
- Pra sempre.
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