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terça-feira, 15 de março de 2011

- Kathy? – Alice olha para amiga com certo receio, logo após terminarem de lavar os pratos, uma vez por semana, mais exatamente nas quartas-feira, elas se encontram para um jantar, uma na casa da outra.
- O que é Alice, parece que quer falar algo, desenrole menina. (risos) – Katherine.
- Ok, vamos lá…Como é esperar por alguem que pode nunca ser seu por inteiro?- Silêncio.
- Deixe, não precisa responder. É que te ver assim, depois de tanto tempo, segurando firme nas mãos um punhadinho de esperanças, ah Kathy, me machuca, me preocupa. – Alice quebra o silêncio em tom doce.
- Você está se referindo ao Will? – Pergunta Katherine já sabendo a resposta.
- E quem mais seria? – Alice.
- Quem disse mesmo que eu tenho alguma esperança Dona Alice? – Retruca Kathy em tom de ironia.
- Oras, como se você conseguisse esconder alguma coisa de mim não é? Ou melhor, qualquer pessoa que olhar seus olhos e trocar meia dúzias de palavras com você, logo percebe de cara o quão você é dele, e como espera cada minutinho pelo dia que ele reconheça a grandeza de amor por ele, e se deixe ser seu. – Alice.
- Sabe Alice, eu nunca assumi nada. E quando não há mais espaço em mim, me transbordo em lágrimas. Eu nunca olhei nos olhos dele e disse “ Will pelo amor de Deus me aceite”. E nem irei fazer isso. Mas eu o amo Alice. Eu já tive tantas oportunidades de fazer as malas e ir embora, eu já me doei tanto, e já doeu tanto em mim, e de todas as vezes eu escolhi ficar aqui, insistir.Eu amo aquele jeito sério dele, e gosto mais ainda daquele sorriso, aquele sorriso de garoto-homem, o meu preferido. Eu gosto da honestidade dele Alice, da humildade. As vezes nem assunto mais eu tenho, mas eu gosto de estar ali pra conversar com ele. Eu gosto de sentar ao lado dele. Quantas vezes eu já me desapaixonei por ele, mas são sempre maiores as vezes em que eu me apaixono por ele. E o encanto? Permanece intacto. Eu gosto muito dos nossos momentos.Eu gosto quando ele me corrige, minha mãe sempre me dizia quando eu era pequena, “ Quem corrige é porque gosta Katherine”, é um jeito de sentir que ele gosta de mim, não acha Alice? (risos) Eu sou uma boba mesmo não é? Uma bobinha de 25 anos que parece não ter aprendido nada sobre relacionamentos e homens e afins. Mas uma boba perdida em esperanças. Se é isso que você quer saber Alice, ouça bem então, eu tenho esperanças sim, mas é diferente das esperanças de quando eu tinha dezessete anos. É como se ele estivesse tão perto, e se eu esticasse os braços um pouco mais conseguiria agarra-lo todo. E como é esperar por alguem que pode nunca ser meu por inteiro? Ah Alice, é moer o coração ainda vivo. É a tal da ironia de querer a pessoa que te fez doer pra te consolar. É um banho, um vestido novo, langerie provocante, é ir a manicure e escolher a cor que ele gosta,um segundo banho – de perfume dessa vez, é maquiagem leve, um bom filme, e esperar, esperar que a campainha toque, esperar que ele entre já encantando minha casa com o som daquela risada, esperar que ele me deseje mais do que na semana passada, é ouvi-lo contar sobre os seus projetos no trabalho, e ter de engolir à seco as historinhas sobre as menininhas, é ouvir seus planos, e continuar acreditando que na proxima vez talvez ele dite um plano com você de protagonista. É não assistir ao filme começado que sempre termina no meu quarto, e é saber que a realidade vai me mostrar na manha seguinte dois bons amigos. É saber que se tem o homem da sua vida ali, na sua frente. E saber mais ainda, que ele não sabe disso. Não ele não sabe.É esperar Alice, que um dia ele descubra. Porque aí nesse dia, certamente você ainda vai estar ali. Pois não há possibilidade alguma de se ir embora. – Katherine desabafa, não conseguindo evitar as lagrimas. Alice dá um abraço em Kathy e sussurra baixinho: Você menina, você não tem jeito mesmo.

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