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terça-feira, 15 de novembro de 2011

A garantia do sim sempre

O telefone tocou.
- Hey, onde você está? Achei que estaria com ele hoje.
Sorri, sem-graça, e sem-saber-o-que-responder.
A verdade é que me achei egoista demais em te pedir pra ficar aí com você, e pelo menos só acompanhar teus movimentos. Ou dividir com você essa chuva que tem cheiro do seu cobertor, só porque o seu cobertor tem  o cheiro que me acalma.
Me achei egoísta, porque já havia passado o dia anterior compartilhando brincadeiras, olhares, e gestos com você.
Então não disse nada. Talvez porque você sempre pede, então se não pediu, não queria.
- É, muita chuva não é. Acho que vou ficar em casa hoje.
Respondi forçado. E desliguei.
Chorei um pouco, respirei fundo, e me achei egoísta de novo. Mas será?
Só queria um lugarsinho no lado direito da cama, ou esquerdo do sofá. Só queria a paz do teu olhar. Ou a sua inquietude tão quieta que me implora para que respeite a vontade involuntária de dentro de mim e fique do seu lado.
Preciso te dizer sobre ontem. Você estava lindo. De novo. Você sorriu desarmado e eu tive vontade de gritar que era aquele sorriso que eu queria encontrar nas minhas tardes daqui há dez anos, após um dia surrado e cansado de serviço. Você tocou meus cabelos com a pontinha dos dedos e eu sorri por dentro. E por fora. E sorri com todos os musculos do meu corpo. Meus olhos não me obedecem e querem olhar você a todo instante. Talvez eles estejam obedecendo o meu inconsciente, ou então eles estejam apaixonados por você. Você me tira do sério. E eu amo isso. Amo a pintinha que você tem na nuca também. Sejamos sinceros, eu sou a sua garantia. A garantia do sim sempre, você sabe. Mesmo lutando, fazendo as malas, ou negando, é pro seu colo que eu sempre desejo correr. Não se esqueça disso.


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